segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os Direitos da Criança

"O recém-nascido é esperança. A criança começa a vida por um sorriso para a sua mãe. Um sorriso de esperança. Depois é a esperança da juventude, o impulso para o futuro. Mas quando este impulso cessa e a esperança falha, então o presente recai na melancolia. A esperança é a maior e a mais difícil vitória que uma pessoa pode ter sobre a sua alma"Jean Guitton
      Celebrámos a 20 de Novembro de 2009 os 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança que, a pare da Convenção dos Direitos do Homem, marcaram, em definitivo, a afirmação civilizacional do ser humano e os fundamentos da liberdade e da justiça no Mundo.
    Pela Convenção dos Direitos da Criança esta viu, finalmente, reconhecido não só o estatuto social de cidadã, titular da universalidade dos Direitos Humanos, como também ganhou o direito à integridade, à dignidade, à igualdade e à não discriminação.
     A família e a sociedade têm uma responsabilidade directa na educação, formação e desenvolvimento da criança dado que em ambas, através dos mitos, ritos e regras sociais, adquirimos o sentido da vida, sendo as referências oferecidas por essa cultura que nos proporcionam a noção de pertença. Saber que se pertence a alguém e a um lugar proporciona à pessoa um referencial de valor significativo.
    Numa sociedade solidária, saudável e cidadã, os seus membros nunca estão sós, dado que o desejo de cuidar de si, do outro e do nós assenta na ética das relações entre as pessoas ressaltando o facto de que quando melhor o outro estiver, melhores estaremos todos.
     Assim sendo cuidar das nossas crianças a níveis diversos é um acto de cidadania de extrema importância e significado.
    E…todas as crianças necessitam de consolo, de braços que abracem, de ouvir histórias aconchegadas num colo, de receber carícias, de um tom de voz agradável e suave, de sorrisos sinceros, de que sejam justos para com ela, que não a deixem fazer tudo aquilo que quer, que lhe digam sim mas igualmente não porque os limites devem ser entendidos desde cedo, que a entendam e a incentivem a entender os outros, que a ouçam e que possa ouvir os outros, que… lhe digam muitos vezes que a amam e que é importante para os seus para que não tenha disso dúvidas e cresça feliz.
     Pais: a presença de afecto e equilíbrio, ao lado dos estímulos para desenvolver a inteligência e a aprendizagem é, no meu ponto de vista, o principal direito das crianças. Mais do que tudo, palavras de encorajamento e incentivo são palavras importantes e necessárias. Os especialistas afirmam que é mais importante a forma de oferecer o estímulo do que a sua adequação ou sofisticação, e que é o desenvolvimento emocional que impulsiona o intelectual. Assim, crianças confiantes e seguras terão aprendizagens mais eficientes e tranquilas e, forçosamente, vidas com sentido.
    Pais: em nome das crianças do mundo atrevo-me a pedir-vos (o que peço igualmente a mim mesmo) o direito dos direitos: amor. Não apenas afagos e carícias, brinquedos e viagens, mas também a luz do entendimento, a educação, bons exemplos, palavras amigas e o reconhecimento das suas reais necessidades.

domingo, 7 de novembro de 2010

Bebidas alcoólicas: tolerância zero

Há dias uma mãe, deveras aflita, contava-me que, em determinado restaurante e aquando da realização de festas de confraternização entre jovens com treze catorze anos se vendiam, sem qualquer constrangimento, bebidas alcoólicas a estas crianças. Denunciei. Mas não valeu de nada pois, e desta vez um pai, disse-me que tal prática continua. MAS É PROIBIDO. Pois é mas, provavelmente, o “crime compensa”. DENUNCIAREI.
A Organização Mundial de Saúde e tendo por base a sua estratégia para o plano “Saúde para todos em 2015” aponta para uma necessidade da diminuição do consumo de álcool a 6 litros per capita por ano para a população de 15 ou mais anos, bem como o de reduzir o consumo de álcool na população de 15 ou menos anos até ao limiar de 0%.
Por este andar nem no ano de 2050!
Ao contrário do que muitos acreditavam no passado, na fase de transição entre a infância e a vida adulta, o sistema nervoso central dos jovens ainda se encontra em desenvolvimento. Desta maneira, as suas vias neuronais podem-se tornar mais susceptíveis aos danos causados pelo álcool, levando ao comprometimento de várias funções. Num período repleto de mudanças físicas, psicológicas e sociais, sob os efeitos do álcool, os jovens ficam mais propensos a comportamentos de risco.
São vários os estudos que nos falam sobre os problemas das perturbações da saúde nas crianças e jovens pelo facto de ingerirem bebidas alcoólicas. Referem esses estudos o quão é preocupante o impacto do consumo de álcool no desenvolvimento cognitivo e psicossocial das crianças e jovens, contribuindo, acentuadamente, para as perturbações psiquiátricas e comprometimentos a nível da Saúde Mental, já que o álcool é considerado uma droga do tipo depressora, pois diminui a actividade cerebral. Por outro lado existe a probabilidade de virem a ter comportamentos desviantes e o consumo excessivo interfere com as fases normais do processo de desenvolvimento em curso.
A ingestão de álcool pode ter repercussões directas no sucesso escolar, já que o cérebro leva mais de uma semana para se recuperar do efeito do álcool, o que quer dizer que nos dias seguintes a pessoa vai ter dificuldades me memorizar e compreender conceitos.
Importa mostrar às crianças, desde a mais tenra idade, que as festas e as diversões não dependem do álcool, embora o possam incluir. Os pais devem explicar os efeitos da bebida em excesso e os problemas associados ao alcoolismo, pois falar com os filhos sobre os riscos de beber pode ajudá-los a crescer e desenvolver uma relação mais segura com o álcool.
E, muito importante: dar o exemplo.